Cia Linhas Aéreas comemora 10 anos
com espetáculo O Animal na Sala
sob direção de renata melo
Teatro, dança e circo se fundem para contar a relação do homem com o meio em vários momentos da sua evolução. O centro da cena é uma grande árvore construída com ferro e objetos reutilizados. A cenografia é de Renato Bolelli Rebouças (Grupo XIX). No elenco, Ziza Brisola, Patrícia Rizzi e Natália Presser, ex-integrante do Cirque du Soleil
Em 2009, o grupo de teatro Linha Aéreas completa 10 anos e comemora com um projeto de oito meses de duração, contemplado pelo Programa de Incentivo à Dança Paulista 2008 da Secretaria Estadual de Cultura. O ponto alto é o novo espetáculo da companhia, O Animal na Sala, que estreia dia 21 de novembro, sábado, às 21 horas, no Teatro do Sesc Santana. Além das apresentações no Sesc, a programação inclui, ainda, sessões gratuitas do espetáculo em dezembro, cursos e oficinas e a manutenção de um núcleo de experimentação coreográfica com apresentação gratuita dos resultados obtidos no final do processo.
O Animal na Sala é um espetáculo de dança-teatro que apresenta a evolução humana sob uma leitura crítica e ao mesmo tempo pincelada por ironia e humor. O primitivo e o civilizado, presentes na essência do homem, são contrastados em diversas situações envolvendo poder, cooperação, conquistas e superação.
O Linhas Aéreas faz um percurso por várias etapas da evolução. Em um primeiro momento, retrata os ancestrais símios, o homem primitivo, a caça, agricultura, pesca, rituais. O desenvolvimento da razão – marcado por alusões a O Pensador, de Rodin – faz a transição para a civilização e para a segunda parte do espetáculo. É onde surge o começo da civilização e a faceta urbana do homem, em meio a máquinas, trânsito caótico, guerras, violência, medo, solidão e encarceramento. A trilha, composta por Claudia Dorei, mescla uma base contemporânea a sons “primitivos” - flautas, água, percussão, cantos tribais.
Os intérpretes-criadores da Companhia Linhas Aéreas são Natália Presser, que trabalhou por três anos (entre 2006 e 2009) como trapezista e atriz corporal no Cirque du Soleil, em turnês por Austrália, Japão e Europa, Ziza Brisola, diretora e uma das fundadoras da Companhia, e Patrícia Rizzi. Para o novo espetáculo, o grupo tem como diretora convidada Renata Melo, que tem um reconhecido trabalho em pesquisa de linguagens envolvendo a dança em diferentes contextos, especialmente com o teatro.
A construção do espetáculo foi feita de forma colaborativa entre as intérpretes, a diretora e o dramaturgo Paulo Rogério Lopes, encarregado de construir a dramaturgia para amarrar todas essas idéias. A criação partiu de um extenso levantamento de referências nas artes visuais, na literatura e no cinema. Entre elas, obras do escritor Franz Kafka, do cineasta Jean-Jaques Annaud e do artista mineiro Frederico Câmara.
Sobre o espetáculo, a diretora Renata Melo considera: “O homem constrói suas próprias jaulas, se fez prisioneiro da civilização. Chegamos a um ponto em que não dá pra voltar atrás. E a idéia não é que o primitivo seja melhor. Claro que há uma crítica ao que se diz civilizado, mas a intenção é propor uma reflexão sobre o tema”.